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Armar o Baile

Associação PédeXumbo (Atualizado em: 21 Agosto, 2019 )

Porque a dança pertence ao terreiro, porque hoje em dia novas vivências voltaram a dar espaço nas nossas vidas a esses repertórios quase esquecidos, este projecto pretende criar condições para o encontro informal entre quem desde sempre conheceu tais danças e músicas e quem não pode estar mais desejoso por as começar a dançar e a tocar estes repertórios.

Deste contacto espera-se uma renovação e um novo estimulo para os saberes, tanto de quem toca, como de quem dança. Em Portugal existem velhos e novos bailadores e tocadores de instrumentos tradicionais, possuidores de um vasto repertório de músicas tradicionais para dança, mas que, fora do contexto dos ranchos folclóricos, têm alguma dificuldade em arranjar enquadramento para esse saber. Aqui esses saberes poderão ganhar renovada vida.
Pretende-se criar um espaço para a divulgação e salvaguarda do património tocado e dançado português, num contexto de desenvolvimento integrado de regiões deprimidas mas com elevado potencial de vida própria.

Para um evento que terá a duração de 2 dias serão convidados tocadores e bailadores, portadores dos saberes de outrora, que orientarão oficinas de dança e liderarão o baile (a acontecer à noite), agindo como transmissores do nosso património cultural. 

As oficinas de canto, adufe  e dança serão dirigidas pelas Adufeiras da Casa do Povo do Paul e os músicos convidados. Estes momentos de partilha e formação têm como objetivo a transmissão de repertório trabalhado ao longo da residência artística que irá acontecer nos dias que antecedem o evento aberto ao publico.

O baile, resultado entre a residência artística com as Adufeiras e os músicos convidados, será o ponto alto da programação, como espaço privilegiado de apresentação do trabalho criado colectivamente e ainda pôr em prática o aprendido nas oficinas que decorrerão durante o dia.

DATAS E LOCAL
Residência Artística: 30 setembro a 4 outubro
Data Evento Aberto ao Público: 5 e 6 de outubro
Local: Paul

 

 

Grupo de Adufeiras da Casa do Povo do Paul, associação sócio cultural do concelho de Covilhã (Beira Baixa) são os parceiros principais da primeira edição do Armar o Baile.

Grupo de Adufeiras da Casa do Povo do Paul nasceu de um trabalhou árduo, à volta da música tradicional com especial destaque para o canto e o toque do adufe.

Apresenta em 2006 o 1º trabalho “Cantos da Terra” em CD e DVD. Com o novo projeto “CANTOS DA TERRA” das Adufeiras da Casa do Povo do Paul, pretende-se o recolher de lengalengas, adágios populares, provérbios, orações, canções de todo o ano, que misturados com os sons dos adufes, das peneiras e pedrinhas, nos remetem para um jogo rítmico, para novas musicalidades das palavras sob a forma de um jogo poético. Este trabalho surge como um trabalho etnográfico, de reinterpretação dos cantares das gentes ligadas ao campo, às festas e romarias Trabalho donde saem novas linhas melódicas, donde sobressaem os sabores da tradição, originalidade e descontração, sem perder o sabor ancestral das versões originais. O grupo trabalha sobre um repertório de grande qualidade, criteriosamente escolhido a partir das recolhas feitas, junto das gentes mais idóneas e dos cantares tradicionais recolhidos por Michel Giacometti.

O grupo é formado por 20 elementos do sexo feminino, com idades compreendidas entre os quatro e sessenta anos que, devidamente trajadas, interpretam e representam com toda a alma, algum saber do povo, da sua identidade cultural.

O espetáculo “Cantos da Terra” com a duração de sessenta minutos foi apresentado pela 1ª vez em junho de 2006, numa atividade da Casa do Povo do Paul.

Tem participado em atividades promovidas pelo INATEL em Lisboa, 1001 Músicos na Alameda dos Oceanos no Parque das Nações e nas Comemorações do 70º Aniversário no Teatro da Trindade.

Tem participado em atividades didático pedagógicas a convite de escolas do Ensino Básico e Secundário, Associação de Pais, Associação de Professores e de outras associações de cariz cultural. Têm participado em atividades culturais promovidas pelas Câmaras Municipais de: Covilhã, Fundão, Guarda, Santarém, Évora, Lisboa, Torre de Moncorvo, Porto, Faro, Tavira,,, Têm colaborado em festivais nacionais de dança tradicional dinamizando as várias oficinas de canto e dança ao toque do adufe tais como : Andanças/ Carvalhais, Oficinas de S. Martinho/Coimbra, Contradança/Évora, Iberfolk /Sortelha, Bons Sons / Cem Soldos… Em colaboração com os Bombos da Casa do Povo têm participado em diversos festivais nacionais e internacionais no âmbito do CIOFF.

O grupo das Adufeiras da Casa do Povo do Paul publicou o seu primeiro trabalho “Cantos da Terra” CD e DVD, em 2008.


Contacto: 964680598
Casa do Povo do Paul
Maria Leonor Cipriano Narciso

Facebook

A PédeXumbo vai estar na bonita vila serrana do Paul, Covilhã, de 30 de setembro a 4 de outubro de 2019 a dinamizar uma Residência Artística com as Adufeiras da Casa do Povo do Paul, Marta Guerreiro, dança (PédeXumbo), Juan de La Fuente, percussão (Ethno Portugal, Fado Violado), Tiago Candal concertina (Retalhos) e Teresa Campos, voz (Sopa de Pedra) que estarão em criação de um Baile com Adufe que será apresentado ao público, dia 5 de outubro pelas 22h00.

ARTISTAS EM RESIDÊNCIA

Teresa Campos (1988) canta, compõe e lidera projectos musicais creativos

Com uma licenciatura em Educação e um especial interesse em Educação pela Arte, concluíu com distinção o Mestrado em Música – Leadership Pathway – na Guildhall School of Music & Drama. Esteve envolvida em projectos educativos e de criação musical comunitária em Portugal, França, Reino Unido e Argentina, e está presentemente particularmente interessada no poder da música tradicional como ferramenta social e criativa.

É mentora do naipe das vozes no Ethno Portugal desde a sua primeira edição, em 2014, do Ethno England em 2016, 2017 e 2019, e do Ethno França e Ethnofonik em 2019; e participou e colaborou como vocalista em projectos de áreas musicais diversas, e como interprete em mais de uma dezena de discos de gente de quem gosta muito, entre os quais o João Berhan, o Júlio Pereira, a Amélia Muge e as Perotá Chingó. É co-fundadora do projecto Sopa de Pedra, um grupo vocal feminino, dedicado ao canto à cappella de canções de raiz tradicional, que lançou no ano passado o seu primeiro álbum – “Ao longe já se ouvia”. Tem a sorte de poder fazer o que gosta.

Juan de La Fuente, Percussão

Nascido em Madrid, 1982

Formado em percussão pela Escuela de Música Creativa de Madrid, foi-se especializando em música tradicional, interessado no potencial colectivo que esta sugere e facilita.

Liderou vários ensembles de percussão creativos e pedagógicos onde a diversidade de conhecimentos, culturas e percursos pudessem servir de estímulo à criação e partilha musicais (entre os quais Ethno Portugal, organizado em colaboração com a Associação PedeXumbo; e o Ensemble de Percussão Étnica que fundou no Porto, em 2017).

Como percussionista está presentemente envolvido em projectos que reflictam esta vontade de juntar mundos, entre os quais Fado Violado (uma viagem entre o Fado e o Flamenco) e Martina Quiere Bailar (composições originais fortemente influenciadas pela música tradicional da Europa Central e Ibérica, para baile folk).

Tiago Candal, Concertina (mais informação em breve)

Marta Guerreiro, Dança (mais informação em breve)

O projecto Armar o Baile é a revitalização de um projeto anterior da PédeXumbo – Aqui Há Baile – criado com o objectivo de contribuir para a revitalização das danças tradicionais portuguesas. A ideia central é estabelecer contactos com velhos bailadores, convidando-os a ensinarem a sua arte a jovens bailadores.

Este evento decorreu pela primeira vez na Amieira do Tejo, em Nisa (2004), tendo tido uma abrangência nacional. Fizeram parte do programa bailadores de Norte ao Sul do país, assim como grupos de música com repertórios diversos, e um conjunto de tertúlias e colóquios de reflexão sobre a dança tradicional.

Em 2005 o evento decorreu em Miranda do Douro, apostando no património da região e explorando as diversas formas de dança, os momentos associados, e a história de vida dos bailadores.

Seguiram-se as Valsas Mandadas, da Serra de Grândola, em 2007. O evento decorreu na bonita aldeia de S. Francisco da Serra. Editou-se, na mesma ocasião, o documentário “MandaAdiante”, dedicado a este estilo coreográfico.
O projeto ganhou uma nova dimensão em 2011 em Évora onde se promoveu o repertório de baile do Baixo Alentejo em formato de festival.

O CONTEXTO DAS DANÇAS POPULARES

Em Portugal, os séc. XIX e XX trouxeram o “progresso”: os grandes e rápidos meios de comunicação, e um lugar na chamada aldeia global, mas trouxeram-nos também, a pouco e pouco, mudanças que se revelaram grandes a nível social e cultural. Alteraram-se as formas de sociabilidade, as actividades económicas diversificaram-se, algumas extinguiram-se, ou deram lugar a outras, os tempos livres ganharam novas actividades. Concomitantes com estas alterações sociais, foram-se perdendo as funcionalidades de actividades lúdicas como as danças. Na verdade, estas actividades eram muito mais que recreação: para além de conferirem uma identidade local e cimentarem relações entre os habitantes de um local e os de fora, possuíam ainda funções que entretanto se perderam (vide os bailes de “fazer solo”, Baixo Alentejo). Durante o Estado Novo apareceram Ranchos Folclóricos um pouco por todo o País, centrados numa perspectiva estática de exibição folclórica. Muito mais recentemente surge a Px, com uma abordagem muito mais aplicada e aparentemente simples: divulgar as danças tradicionais essencialmente multiplicando o número de bailadores. A PX mantém-se como uma das poucas associações que, em Portugal, promove o ensino de danças tradicionais. É único o seu modo de trabalhar, baseado na formação de formadores directamente a partir de bailadores “relíquias” de outros tempos.

Em termos internacionais, a PX colocou Portugal no circuito de Bailes de Danças Tradicionais há muito enraizados Europa fora. Os Festivais de Danças Tradicionais possuem um cariz muito próprio, cativando um público fiel que se move de festival em festival procurando aprender novas técnicas, procurando os melhores músicos de cada estilo, confraternizando com outros bailadores. A PX trouxe este público a Portugal com o Festival Andanças, introduziu muitas técnicas de danças europeias através de bandas estrangeiras convidadas e de muitas outras que entretanto se formaram em Portugal dentro do mesmo espírito. Mas não pode ser esquecido que também esta é uma maneira de divulgar as tradições portuguesas no estrangeiro, já que os bailadores estrangeiros regressam aos seus países de origem também com técnicas portuguesas aprendidas no Andanças.

COMO CHEGAR

A Vila do Paul encontra-se na região da Beira Interior de Portugal, na Cova da Beira (Beira Baixa). É uma freguesia do concelho da Covilhã e do distrito de Castelo Branco.

O Paul está a 40ºN de Latitude e a 7ºO de Longitude, a Sul da Serra da Estrela.

Coordenadas: 40.2007254,-7.6469035

Não existem transportes públicos diretos para o Paul, sendo que a Covilhã é a cidade mais próxima da vila a cerca de 23 quilómetros.

Comboios e Expressos para a Covilhã, mas não existe transporte regular desta cidade até ao Paul.

A forma mais cómoda será para os participantes se deslocarem em transporte próprio e, para esse efeito, criámos um Grupo de Boleias no Facebook.

ONDE FICAR ALOJADO:

Acantonamento gratuito no Pavilhão Gimnodesportivo da Escola 1º e 2º Ciclo do Paul

A PédeXumbo, em parceria com a junta de Freguesia do Paul, coordenou um local de acantonamento gratuito que fica disponível a partir da noite de 4 de outubro até à tarde de dia 6 de outubro. 

Será necessário levar colchão e saco de cama, assim como toalha.

Outros alojamentos na vila e nos arredores, sugestões aqui.

 

O Paul é uma vila serrana pertencente ao concelho da Covilhã, situada na vertente sul da Serra da Estrela, nas margens da ribeira da Caia. O Armar o Baile é não só uma oportunidade de vir dançar, aprender a tocar e cantar danças com adufes, mas também para explorar uma região muito bonita do nosso país.

As terras da região são férteis e conferiram à vila o seu agradável aspecto rural, e ajudaram a fixar populações desde tempos remotos. De facto, é provável que por aqui tenham passado Fenícios, Gregos, Romanos e Árabes, que aqui terão deixado as suas influencias e importantes conhecimentos agrícolas.

Vale a pena conhecer as suas ruas estreitas e sinuosas, rodeadas por pequenas habitações em zonas agrícolas, com interessantes monumentos como a Igreja Matriz, com elementos Barrocos; a Capela do Espírito Santo; a Ponte do Paul; o interessante Museu Etnográfico, situado numa típica casa serrana, mostrando a riqueza patrimonial deste estilo de vida; o Cruzeiro da vila bem próximo do Chafariz da Praça; ou o mesmo as muitas heranças rurais de importante legado patrimonial, como Moinhos e Lagares, entre outros.

Destaca-se também o Santuário de Nossa Senhora das Dores, construído em 1954, após uma promessa feita por altura das Invasões Francesas, prometendo que se o Paul não sofresse qualquer dano uma ermida seria construída no Monte da Fonte Santa. 

A Casa Típica do Paul (Casa-Museu do Paúl), onde se localiza o secretariado do Armar o Baile, representa o símbolo vivo da arquitectura tradicional e o modus vivendi do espaço doméstico tradicional é em parte, um museu aberto a visitas e um lugar de exposição/venda de produtos tradicionais (mel, broa, etc.). Os moinhos e os fornos comunitários constituem um importante legado de instrumentos ligados a actividade da panificação e da moagem tradicional.

A localização de moinhos junto da ribeira Caia, alguns com casa de moleiro e com cinco a seis pedras de moagem, formam um belíssimo quadro da presença humana na rica paisagem natural existente na freguesia do Paul.

Há ainda também a Ponte do Paul que poderão visitar.

A região está dotada de diversos espaços verdes e naturais, que apelam à tranquilidade, como na bonita Ribeira de Caia, e no Vale do Paul, com bonitos poços para mergulhos refrescantes ou apenas para desfrutar uma bela paisagem à beira rio.

 

Informação retirada e adaptada das seguintes fontes:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Paul

https://www.guiadacidade.pt/pt/poi-paul-17173

 

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