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Bolsa de Instrumentos

Associação PédeXumbo (Atualizado em: 9 Novembro, 2018 )

A Bolsa de Instrumentos PédeXumbo é um programa de empréstimo de instrumentos tradicionais, em que os candidatos recebem, de forma gratuita, um instrumento musical tradicional para levarem para casa, descobrirem e experimentarem as suas potencialidades.

A Bolsa de Instrumentos pretende estimular a divulgação da música tradicional e dos seus instrumentos. Os instrumentos que compõem a Bolsa são raros, ou porque são artesanais e por essa razão existem poucos exemplares, ou porque apesar de serem produtos industriais estão confinados a uma tradição local específica,  não sendo distribuídos na maioria das lojas de música. Noutros casos, estão (ainda) afastados ou pouco presentes nas escolas de música, academias e grupos musicais nacionais.

Para quebrar este ciclo, a PédeXumbo adquiriu ou recebeu como doação ao longo dos anos um espólio de instrumentos de música tradicional e decidiu disponibilizá-lo, de forma gratuita, às pessoas que se mostrem interessadas a experimentá-lo pelo período de 9 meses.

Este programa destina-se a todos os que querem aprender a tocar um dos instrumentos musicais disponíveis, e que nunca tiveram oportunidade de o experimentar.

Podem candidatar-se residentes em todo o território de Portugal continental e não é necessária experiência musical prévia.

A PédeXumbo está recetiva a sugestões e propostas de parcerias para o desenvolvimento deste projeto.

Para mais informações, contactar Leonor Carpinteiro: leonor.carpinteiro@pedexumbo.com

  • 2 Acordeões de Botões
  • 1 Bandolim
  • 1 Cavaquinho
  • 3 Concertinas
  • 2 Flauta de Tamborileiro
  • 2 Gaitas-de-fole Galegas
  • 2 Gaitas-de-fole Transmontanas
  • 1 Rabeca Brasileira
  • 1 Rabeca Chuleira Novo Instrumento 2019/20
  • 1 Viola Amarantina
  • 1 Viola Braguesa
  • 1 Viola Campaniça
  • 1 Viola da Terra

Sobre os instrumentos

CORDOFONES

O bandolim é um instrumento musical de cordas. De formato semelhante a uma pera, pode ter as costas abauladas ou rectas. Da família dos cordofones, possui cordoamento duplo, ou seja, quatro pares de cordas, e sua afinação é da mesma forma que o violino: Sol, Ré, Lá, Mi. As origens do bandolim remontam à Itália do século XVI, e ligam-no ao alaúde.

O cavaquinho é um instrumento da família dos cordofones originário do Minho que mais tarde foi amplamente introduzido na cultura popular de Braga pelos nobres Biscainhos e de onde foi depois levado para outras paragens como Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Hawaii.

Com 12 trastos na sua forma original o cavaquinho tem uma afinação própria que é ré-lá-si-mi. 

As ilhas do Hawaii têm um instrumento baseado no cavaquinho chamado ukulele, também com quatro cordas e um formato semelhante ao do cavaquinho, que se julga ser uma alteração do cavaquinho, levado por emigrantes portugueses em 1879.

A navegação portuguesa também levou o cavaquinho para a Indonésia. Sua adaptação local ganhou o nome de kroncong, nome também dado a um estilo musical com influências do fado e criado no século XVI por escravos libertados.

A rabeca é um instrumento de origem árabe tendo-se notícias de sua utilização desde a Idade Média. A Rabeca é um instrumento de arco, precursor do violino. Tocada em manifestações populares e religiosas desde os remotos tempos da colonização brasileira. Sua construção, a afinação e a maneira de tocar mudam conforme a região de origem. 

De tom mais baixo que o do violino, tem um timbre fanhoso e percebido, geralmente, como tristonho. Existem rabecas de três, quatro, e mais raramente, de cinco cordas. As cordas podem ser de tripa ou aproveitadas de outros instrumentos como o cavaquinho, bandolim ou violão. As suas afinações variam de acordo com o rabequeiro, sendo as duas mais comuns, em quintas: ré-lá-mi-si, conhecida popularmente como “afinação pernambucana”, ou em sol-ré-lá-mi, como o violino e o bandolim.

O tocador encosta a rabeca no braço e no peito, friccionando suas cordas com arco de crina, untado. Juntamente com a viola, é um instrumento tradicional dos cantadores nordestinos. 

A Rabeca Chuleira representa a modificação do violino vulgar, popularizado entre os séculos XVII ou XVIII. É um violino popular de braço curto e escala muito aguda, que aparece numa área centrada em Amarante, que vai até ao Douro, Guimarães, Lousada e Santo Tirso, ligada a uma forma musical (e coreográfica) peculiar a essa área — a chula.

A rabeca é porém bastante corrente nos conjuntos musicais populares das ilhas da Madeira, Porto Santo e Açores, e também Cabo Verde.

 

A viola amarantina, também designada de viola de Amarante, viola de dois corações ou simplesmente viola é típica da região do Douro Litoral. É tocada de rasgado, com todos os dedos percorrendo as cordas.

Nos últimos tempos, os instrumentos tradicionais portugueses, sobretudo os cordofones, têm vindo a ser mais divulgados e utilizados, sem excepção para esta viola.

O seu comprimento é de cerca de 90 cm. A boca geralmente tem a abertura com a forma de dois corações. A escala é saliente em relação ao tampo, e estende-se por cima deste até à boca. A cabeça geralmente é plana, ligeiramente inclinada em relação ao braço, e com uma forma retangular, com uma fenda longitudinal e com cravelhas. Excecionalmente, a cabeça pode ter a forma de leque, similar à guitarra portuguesa. O cavalete também é extremamente trabalhado. Geralmente, as ilhargas são feitas em nogueira, o tampo em pinho de Flandres, o braço em mogno, os interiores em casquinha ou choupo e a escala em pau-preto.

Conta com um conjunto de cinco cordas duplas: as quatro (ou o conjunto de duas) mais agudas tocam a mesma nota, na mesma oitava, e as seis (ou conjunto de três) mais graves tocam a mesma nota mas em oitavas diferentes. Mas ao contrário da de Braga, a escala vem até à boca, aumentando as hipóteses sonoras mais agudas.

A existência da Viola Braguesa, também designada de viola de Braga, surge documentada desde o séc.XVII e é o instrumento mais popular do Noroeste Português entre o Douro e Minho. Toca‐se a solo ou no acompanhamento do canto em “Rusgas”, “Chulas” e “Desafios”.

Como todas as Violas Portuguesas, a Braguesa pertence a um género musical exclusivamente lúdico e festivo e integra o mesmo tipo fundamental comum a todos os cordofones da família das”guitarras” espanholas e europeias, a que pertence. Actualmente, esta Viola tem a abertura central em “boca de raia”, mas os modelos e representações antigas mostram exclusivamente bocas redondas ou ovais. A Viola Braguesa tem 10 cordas, armadas em cinco ordens duplas e possui essencialmente dois tipos de afinação: Lá Mi Si Lá Ré,do agudo para o grave, e a “Mouraria Velha” Sol Ré Lá Sol Dó.

A viola campaniça é mais uma das tipícas violas portuguesas, tem 94 cm, sendo ela a maior das violas portuguesas, tem 10 cordas mas possui e 12 afinadores, o que aponta que em termos o instrumento poderia ter tido 12 cordas, mas que essa característica não se apresenta hoje. É um cordofone com dez cordas (cinco ordens de cordas duplas), de enfranque muito pronunciado, e que se crê que tenha evoluído a partir da vihuela de mano medieval. Tem a seguinte afinação (da corda mais aguda para a mais grave): ré ré – si si – sol sol – dó dó – sol sol.

É uma viola típica da região campaniça alentejana do Baixo Alentejo.

A origem é incerta mas sabe-se que era tocada antigamente para bailes, folias, rodas, ao despique, a acompanhar o canto.

A viola da terra, também conhecida como “viola de arame”, “viola de dois corações”, ou “viola de 12 cordas”, é um instrumento de cordas tradicional dos Açores, Portugal. A origem da viola da terra está relacionada com a presença da viola portuguesa ou “guitarra”, trazida do continente português no início do povoamento das ilhas dos Açores.

A viola da terra é “irmã” das violas braguesa, toeira, amarantina, caipira, e da viola de arame madeirense, tendo sofrido uma evolução diferente devido ao isolamento que condicionava a vivência nos Açores.

Nas Saudades da Terra, de Gaspar Frutuoso, primeiro cronista açoriano, são várias as referências a tocadores ou “tangedores” de viola da terra. Porém, até ao século XIX, altura em que surgem em gravuras alusivas a festividades populares representações da viola açoriana, desconhece-se a sua evolução, bem como o desenvolvimento das suas respetivas características.

Nos Açores, foram muitos os artesãos que se dedicaram à arte de construir violas da terra, os quais na sua maioria permanecem desconhecidos. Este saber, transmitido de geração em geração, permitiu que muitos desses artífices sustentassem (de forma exclusiva ou não) as suas famílias com a construção destes instrumentos musicais.

A viola da terra assumiu ao longo do tempo grande importância social e cultural na vida dos açorianos, marcando presença em diversas manifestações festivas tradicionais, para acompanhar melodias como a saudade, a sapateia, o pezinho, a bela aurora, a chamarrita, entre outras, ocupando lugar privilegiado na poesia popular e “partindo” para a diáspora com muitos dos que emigravam.

Dotada de traços e de uma sonoridade particular, a viola da terra apresenta-se segundo dois tipos principais: a viola da terra micaelense e a terceirense. A viola da terra pode encontrar-se em quase todas as ilhas do arquipélago dos Açores, variando por diferenças de construção, encordoamento, afinação e técnica de execução.

Instrumento predileto do povo, a viola da terra é constituída por uma caixa de ressonância alta, estreita e em forma de oito, com cintura pouco acentuada, braço comprido e escala que vai até à boca, com vinte e um pontos. Apresenta 12 cordas de arame, dispostas em cinco parcelas: as três primeiras duplas e as duas seguintes triplas. A abertura existente no tampo tem forma de dois corações. Entre as duas filas de cravelhas da viola da terra é frequente existir um pequeno espelho que serviria para o ritual de se fazer a barba, lavar e pentear, antes do tocador se ir de porta em porta e de cigarro na boca a tocar pela freguesia.

AEROFONES

Flauta de Tamborileiro é o termo genérico utilizado na língua portuguesa para denominar um tipo de instrumento musical da família dos aerofones (instrumentos de vento), que consta de uma flauta de bisel com três buracos no extremo oposto ao do bisel, dois na parte superior e um na parte inferior da flauta, e que se toca utilizando várias intensidades de sopro, conseguindo-se produzir uma escala diatónica através dos vários harmónicos.

Esta flauta é sustida e tocada por apenas uma mão, o que deixa a segunda mão livre para, em simultâneo, fazer o acompanhamento através de um instrumento de percussão, frequentemente um tambor bimembranofone. A flauta toca-se em geral com a mão esquerda, deixando a mão mais ágil (a direita, normalmente) para o manejo da baqueta. Quanto à forma de suster a flauta, esta segura-se entre a boca (na extremidade onde se situa o bocal) e o dedo anelar e o mindinho, os quais sustêm o extremo oposto.

A gaita de fole galega é um dos modelos mais conhecidos de gaita-de-fole. Originária de Portugal e da Galiza, a gaita galega tem tido uma crescente popularidade principalmente a partir dos anos de 1970. Até então, como diversas outras facetas da cultura galega, este instrumento tinha sido menos usado durante o governo de Francisco Franco. Contudo, para além duma maior liberdade de expressão conquistada pelo povo galego desde o final do regime franquista, um dos principais fatores da expansão da gaita galega foi a proliferação de artistas e grupos de música folclórica, a evidenciar a cultura galega.

Tradicionalmente a gaita galega situa-se na Galiza e no litoral de Portugal, especialmente entre o Minho e a estremadura. Contudo ela é hoje tocada pelo mundo inteiro.

A gaita galega tradicionalmente apresentava apenas três tubos melódicos: o ponteiro, o bordão (ou roncão) e o assoprador (ou soprete). No litoral português preservou-se desta forma entre os populares.

Contudo, a partir de meados do século XX passa a sofrer transformações que passaram a ser muito mais comuns: o ronquete (bordão tenor) e o ronquilho ou chilão (bordão alto, o menor de todos). Também, as afinações tradicionais em si e em ré foram aos poucos sendo preteridas em relação à afinação em dó. As gaitas galegas tocadas tradicionalmente pelo Minho preservaram-se em geral nos moldes mais antigos.

Seu ponteiro possui afinação cônica, sendo meio-tom a diferença entre a nota fundamental e a tonal; utiliza palheta de cana dupla. O bordão baixo por sua vez utiliza palhão (palheta simples), afinado duas oitavas abaixo da tonal do ponteiro. O bordão tenor (ronquete) e o chilão também utilizam palhões, afinados uma oitava e uma quinta em relação ao ponteiro, respectivamente. Os bordões vêm apresentando ao longo das décadas um desenho cada vez menor, de copa mais fechada—provavelmente a seguir uma afinação em dó cada vez mais brilhante.

A gaita de fole transmontana ou mirandesa, tido como a denominação reconhecido pelo Ministério da Cultura no Congresso de 2007 de Miranda do Douro.

A gaita mirandesa compartilha diversos aspectos estruturais com gaitas de regiões vizinhas: a gaita sanabresa, a gaita zamorana e a gaita alistana. 

Constituída por apenas um bordão baixo com palhão (duas oitavas abaixo) e um ponteiro cônico com palheta dupla, a sua bolsa possui um desenho característico, a usar o couro inteiro da pele de um cabrito, montando o ponteiro no pescoço, o soprete e o bordão em cada pata (dianteira). As pata de trás não são usadas e o “odre” fecha-se amarrando pela barriga do animal.

Esta gaita é por tradição construída em madeira de buxo – eventualmente com anéis de corno.  

É no modo e na afinação que se encontra a maior peculiaridade da gaita mirandesa. A sua nota fundamental (tónica) pode ser em Si, Sib ou Lá, com a subtónica (não-sensível) um tom abaixo, configura o modo dórico em muitas recolhas, parecendo a alguns, estranhos os intervalos da escala do ponteiro.  

O acordeão é um instrumento musical aerofone de origem alemã, composto por um fole, palhetas livres e duas caixas harmónicas de madeira.  O seu uso está generalizado um pouco por todas as regiões do país, vindo a ocupar, muitas vezes, o tocar da viola. Ainda é bastante comum fazerem-se bailes apenas com o acordeão. 

O acordeão cromático com botões, apresenta botões cujo número pode variar, que são tocados com a mão direita, e cuja disposição dos botões segue a ordem das escalas cromáticas.

Existem dois acordeões de botões para empréstimo na Bolsa de Instrumentos PX.

A concertina é um pequeno acordeão, de caixa poligonal (geralmente hexagonal ou em forma de octógono quase quadrado). É um instrumento de palhetas livres, com fole, com teclados.

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